SAIBA LIDAR COM OPINIÕES DIFERENTES

Ultimamente, tenho pensado bastante sobre os julgamentos que fazemos ao longo de nossa vida. Por mais que muitos se defendam e afirmem que não julgam ninguém — e fazem isso temendo serem julgados —, eu preciso contar que, sim, todos nós julgamos algo ou alguém a todo instante.

Inevitavelmente, comparamos com nossas próprias referências e com nossa realidade os parâmetros dos outros. Isso acontece de forma automática, sem que tenhamos poder de decisão sobre essa atitude. No entanto, existe um momento desse processo sobre o qual temos todo o domínio: o uso que faremos de nosso julgamento.

Podemos, por exemplo, considerar a prática do outro errada e simplesmente não usá-la na nossa vida — algo completamente natural, pois temos a liberdade de tomar as próprias decisões. O grande problema é utilizarmos nossa régua para criticar, rotular, discriminar ou inferiorizar. Ao tomar nossas verdades como absolutas, discriminamos aqueles com referências diferentes e nos colocamos numa posição de superioridade. Por causa da pressa em julgar, não notamos que os outros não são melhores nem piores do que nós. São apenas diferentes. Essa avaliação, no entanto, tem seu lado positivo. Quando analisamos os parâmetros alheios, conseguimos nos aproximar da outra pessoa e, também, entrar em contato com um olhar novo — o que é sempre enriquecedor.

Se quiser ir além na reflexão, coloque em juízo os próprios parâmetros. Quando encontrar conceitos diferentes dos seus, olhe primeiro para os próprios princípios e nunca os tome como absolutos. Busque sempre o diferente e não fique na dicotomia do “melhor” e “pior”, pois, quando você atua dessa maneira, sempre tenta se colocar acima (ou abaixo) das outras pessoas.

Por isso, proponho um exercício que todos nós devemos fazer em vários momentos de nossa vida: olhe para suas verdades e observe profundamente sobre elas. Analise sua realidade e pergunte-se se deve modificar alguma de suas crenças — e pense sobre o motivo de uma eventual  transformação.

Essa é uma atitude difícil, mas muito importante. Só desse modo você se abrirá mais para o diferente em situações que envolvam o pensamento coletivo — seja no trabalho, seja na sociedade, seja na família.

Fonte e foto: Exame